. Blog sobre a vida e obra de Heinrich von Kleist, bolos de arroz, a arte pela arte, o Dr. Sousa Martins, e outras coisas começadas por "k". Autor: Alexandre Andrade. Mandem coisas para umblogsobrekleistATyahoo.fr. (Substituir "AT" por "@". Abaixo o spam!)
MINARETES E LAICIDADE: Como é seu costume, o Ricardo é certeiro naquilo que escreve sobre a polémica dos minaretes na Suíça (aqui e aqui). Concordo com tudo e assino por baixo. A transcrição dos excertos da Carta Constitucional e da Lei da Separação é oportuna, e serve para demostrar que, com o resultado deste referendo, a Suíça recuou, em termos de tolerância para com religiões não cristãs, para os níveis do Portugal pré-5 de Outubro de 1910.
A verdadeira laicidade é incompatível com limitações à liberdade de culto, sobretudo se se tratar de limitações selectivas, ao sabor da evolução de sensibilidades islamófobas.
Quanto àqueles que colocam no mesmo patamar a restrição à edificação de minaretes e a remoção dos crucifixos das salas de aula, ou bem que pecam por ignorância ou bem que pecam por pura e não adulterada má fé. Receio bem que os segundos sejam em número muito superior aos primeiros, e temo por isso que a límpida argumentação do Ricardo acabe por redundar em perda de tempo. Quem não vê algo de tão óbvio está para lá do alcance da lógica e da razoabilidade. aa 22:23
Segunda-feira, Novembro 30, 2009
LEITURAS EM LUGARES PÚBLICOS: Este blog não se compadece com a facilidade, e é apenas por esse motivo que não costumamos assinalar avistamentos de leitores na Fnac. Mas há situações em que abrir uma excepção é um imperativo moral. Na Fnac do Vasco da Gama, um jovem munido de leitor MP3 lia "Portnoy's Complaint", de Philip Roth (o tal que só ganhará o prémio Nobel em 2119). E ria-se com gosto, de vez em quando. aa 22:12
APERTA APERTA COM ELA:
O grupo "Estrelas do Alva" interpreta, com inegável brilho, o êxito de José Malhoa "Baile de Verão".
"Aquele Querido Mês de Agosto", uma das mais estimulantes surpresas do cinema português dos últimos anos. aa 21:56
PROCESSO DE FOLHEAMENTO EM CURSO...:
Depois de "Jacobo e outras histórias", de Teresa Veiga, "Venâncio e outras histórias", de Joaquim Paço d'Arcos. É o segundo livro com um título da forma "[nome próprio masculino] e outras histórias" que eu leio num curto espaço de tempo. Alguém me saberá recomendar outro livro cujo título respeite este requisito formal? aa 21:49
REFERENDE-SE: Proponho que se leve a referendo o dogma da Santíssima Trindade. Está na altura de o povo se manifestar sobre esta questão, cuja importância ninguém de bom senso se lembrará de contestar. Não tenhamos medo de ouvir a voz dos cidadãos. O debate aprofundado que este dogma merece ainda está por realizar. aa 21:37
Segunda-feira, Novembro 23, 2009
BLUFFER SINCERO: Quando estou a assistir a uma sessão do concurso "Jogo Duplo", é comum recordar-me de uma frase pronunciada pelo extraordinário Serge Renko no extraordinário "Triple Agent" (Éric Rohmer).
«Por vezes, é mais inteligente dizer a verdade do que mentir, porque os outros não acreditam em ti.» aa 22:52
PROCESSO DE FOLHEAMENTO EM CURSO...:
Não é de hoje o meu fascínio pelo matemático amador indiano Srinivasa Ramanujan, revelado ao Ocidente pelo ilustre G.H. Hardy. Fiquei contente ao saber que David Leavitt escrevera um romance baseado no encontro improvável entre estes dois homens. Comprei o livro, e agora estou a lê-lo. O facto de se passar em Cambridge é um bónus bem-vindo.
LONGE DO ESTORIL: O que me faz lamentar estar a perder o festival de cinema do Estoril é, mais do que Juliette Binoche, David Byrne ou Francis Ford Coppola (e eu admiro-os a todos), a presença na selecção oficial de "Le Roi de l'Évasion", de Alain Guiraudie. Sou grande admirador deste realizador, sobretudo do sublime "Pas de Repos pour les Braves" e da fabulosa média metragem "Du Soleil pour les Gueux". Ao penúltimo filme de Guiraudie, "Voici Venu le Temps", não foi dada oportunidade nas salas portuguesas. Quem sabe quando, ou (suspiro) se, terei oportunidade de assistir a este "Le Roi de l'Évasion"? Dá vontade de ir ali ao Cais do Sodré apanhar o comboio. aa 22:18
José António Saraiva é, em Portugal, o expoente supremo da comicidade involuntária - e não por falta de concorrência. Nesta sua peça sobre o casamento homossexual, o que mais impressiona é o contraste entre a pose de quem escreve, entre oráculo e compenetrado árbitro de costumes, e a atroz banalidade das opiniões que exprime. Prosa como esta constitui um poderoso argumento contra o referendo ao casamento entre pessoas do mesmo sexo, talvez mais eficaz ainda do que o elementar bom senso. A haver um referendo, a haver o tal debate, certamente muito "amplo", muito "alargado" e muito "profundo", o tal debate que se estende há anos mas que alguns insistem em enriquecer com mais achegas e rotações de manivela, argumentação como esta (talvez um pouco menos trôpega) encheria jornais, blogs e prós e contras, durante semanas. Não se deve abusar dos pontapés na nossa sanidade colectiva. aa 21:47
TO WHOM IT MAY CONCERN: Os contos "Eulália e Vina" e "O Fim do Curso", de Teresa Veiga, fariam muito boa figura numa antologia dos melhores contos portugueses do século XX. aa 21:32
Sábado, Novembro 07, 2009
PRÉMIOS: O prémio Booker foi atribuído a Hilary Mantel ("Wolf Hall"), o Goncourt a Marie NDiaye ("Trois Femmes Puissantes") e o Nobel a Herta Müller. É a primeira vez que estes três prémios são entregues, no mesmo ano, a mulheres. O único ano em que o Booker e o Goncourt tinham sido ambos atribuídos a mulheres, até hoje, tinha sido 1984 (Anita Brookner, "Hotel du Lac", e Marguerite Duras, "L'Amant"). aa 23:11
"I'd rather have a bottle in front of me than a frontal lobotomy."
Qual "E pluribus unum", qual "No hay caminos hay que caminar", qual "If you want something set it free". Este sim, é um lema que merece durar uma vida inteira. aa 21:53
LANÇAMENTO: A antologia luso-brasileira "Um Rio de Contos" (Editorial Tágide) será lançada amanhã, 3 de Novembro, terça-feira, às 18h30, no Espaço Machado de Assis (Avenida da Liberdade, 180-A, 10º andar). A obra será apresentada pelo Embaixador Lauro Moreira e pelo escritor Miguel Real.
Participo nesta antologia com um conto cuja acção se desenrola nas margens do garboso rio Guadiana. aa 21:48
Sexta-feira, Outubro 09, 2009
UMA HORA E VINTE MINUTOS ANTES DO INÍCIO DA JORNADA DE REFLEXÃO,DEIXO-VOS A MINHA HOMENAGEM AO ÍNDICE REBUÇADO: Já conhece o índice rebuçado? Descubra tudo aqui. São inspirações como esta que distinguem uma democracia vibrante e vigorosa de uma democracia apagada e moribunda.
Habitantes do Lumiar, a escolha é vossa. Vamos lá mudar de paradigma? aa 22:40
SÓ ALGUNS: Posso garantir, com pleno conhecimento de causa, que não mais de dois telheirenses em cada três lêem Murakami. Falar em "moda" releva do exagero. aa 22:35
Quarta-feira, Outubro 07, 2009
LIFE, THE TRUTH OF ART AND THE SORROWS OF IMAGINATION: Lá fora chove com abundância bíblica, o tempo não convida a saídas nocturnas, e que melhor maneira de passar um serão doméstico do que ler a crítica do blog "Reverse Shot" ao último filme de Rivette?
Angustiam-me um pouco os tons de epitáfio que Damon Smith detectou em "36 Vues du Pic Saint-Loup". Espero que Rivette o desminta, realizando ainda muitos e excelentes filmes. aa 21:49
O QUE FAZ FALTA É ENLAÇAR A MALTA: Fiz um pouco de manutenção na lista dos enlaces. Aproveitei para acrescentar o Jugular, o Ladrões de Bicicletas, o Que Treta! e O Vermelho e o Negro, que já lá deviam estar há muito tempo. Tempus Fugit, como dizia o outro. aa 21:45
Segunda-feira, Outubro 05, 2009
NOTAS DE LEITURA SOBRE "LES PLAISIRS ET LES JOURS": Proust não tinha em elevada conta a arte da conversação, entendida como pretendente a género literário. Criticou Sainte-Beuve a este respeito, e chegou a pronunciar-se desfavoravelmente sobre Stendhal por este encarar a literatura como uma distracção, e por ter escrito "La Chartreuse de Parme" «faute de maisons où l'on cause agréablement et où l'on serve du zambajon».
(Isto como nota de rodapé ao discurso de uma das personagens de "Mondanité et mélomanie de Bouvard et Pécuchet", pastiche de Flaubert onde Mallarmé é depreciado por não ter talento, apesar de ser um "brillant causeur".) aa 21:36
NOTAS BREVES SOBRE O 5 DE OUTUBRO:
A República entra hoje no seu centésimo ano. (Deixemos, por agora, de lado o debate sobre se o Estado Novo merece a designação de "República".) Os 365 dias que se seguem devem ser de celebração, comemoração, informação e debate. Com sobriedade. Deixe-se o monopólio da pompa e da desmesura àquelas instituições mais comprometidas com a irracionalidade e com a suspensão do bom-senso (por exemplo, a monarquia, Fátima, o PC chinês).
Frequentemente, escutam-se vozes preocupadas com a reduzida adesão popular ao feriado do 5 de Outubro. Não me conto entre os que vêem aqui motivo de ansiedade e de estados de alma. Se o 5 de Outubro não se comemora com fervor nem afã, isso deve-se acima de tudo ao facto de a República estar hoje solidamente instituída, a tal ponto que comemorá-la pode parecer uma redundância. (A ausência de multidões eufóricas nas ruas, no 1º de Dezembro, é razão para descrer do apego que os portugueses dedicam à independência do seu país?)
Estes 365 dias não deixarão de trazer a dose fatal de provocações, acrobacias retóricas, e tentativas de fazer crer que existe hoje uma questão de regime em Portugal. Os jornais e televisões agradecem. Deixem a rapaziada da Causa Real, e demais facções (consta que não são poucas), entregar-se aos seus ruidosos e garridos rituais de iniciação, desde que não estraguem muita coisa, e de preferência antes das 2 da manhã, por causa do sono alheio.
BOLO-REI:Que sorte. Pelo que me toca, ainda não me consegui habituar aos disparates deste blog. Quanto ao bolo-rei da "Suprema", eu falei em fama, e não em mérito, coisas que nem sempre andam de mão dada. Mais depressa revelaria o PIN do meu cartão multibanco do que as minhas preferências no campo da doçaria natalícia. Este assunto reveste-se de enorme importância, e aliás tenciono fazer uma comunicação ao país a este propósito, amanhã, às 20 horas e 50 segundos. aa 22:40
MORTES LITERÁRIAS: Uma comentadora da obra de Proust, Anne Henry, assinalou as numerosas semelhanças (que raiam o plágio) entre a morte de Baldassare Silvande, personagem de um conto de "Les Plaisirs et les Jours", e a do Ivan Ilyich de Tolstoi. «Chevaux de chasse et dettes de jeu, alliances princières, revolvers et policiers rossés arrivent tout droit de Moscou pour peupler le délire de Baldassare.»
ESSA MALTA: Pacheco Pereira denuncia, no seu blog, a «grosseria que se torna cada vez mais habitual no vale tudo em que estamos mergulhados». Não podia estar mais de acordo. O exemplo supremo desta grosseria, que PP terá sem dúvida omitido por o achar demasiado óbvio, são as crónicas de Vasco Graça Moura no "Diário de Notícias", que redefine semanalmente as fronteiras da vulgaridade e do bom senso. No seu mais recente esforço, VGM não regateia invectivas contra os mais de 2 milhões de portugueses que votaram no PS: de amorfos a impudentes, passando por invertebrados, tudo cabe no cabaz do tradutor de Petrarca. Momentos inspirados como «eles acabam de mostrar que preferem chafurdar na porcaria a encontrar soluções verdadeiras», ou «O que essa malta quer é o rendimento mínimo, o subsídio por tudo e por nada, a lei do menor esforço» (dê-se ao trabalho de ler a crónica, caro leitor, há muito mais) deverão, se houver justiça, entrar em antologias do uso vergonhoso da língua portuguesa. No meio da torrente, merece especial destaque este mimo: «Não se diga que tomo assim uma atitude de mau perdedor, ou que há falta de fair play da minha parte.» Inquietação inútil: nenhum leitor consciente tomará isto como mau perder. Estamos a falar de outra dimensão. A crónica de VGM está para o mau perder como as invasões dos hunos estão para um calduço na nuca.
Um dos maiores mistérios que o nosso dulcíssimo Portugal guarda no seu seio é este: como é que um homem da estirpe intelectual de Vasco Graça Moura permite a si mesmo entregar-se a estes exercícios de má fé e pesporrência? É certo que a erudição não é totalmente incompatível com a boçalidade, mas um caso tão extremo dá que pensar. Quem sabe, porém, se os vindouros, desenquadrados do medíocre contexto histórico em que estamos imersos, não verão nestas tiradas valiosas instâncias de escárnio e maldizer pós-modernos, que contribuirão para a reputação póstuma deste autor. Desiludido com os seus coetâneos, resta a VGM apostar na posteridade. aa 21:43
Terça-feira, Setembro 29, 2009
E TAMBÉM É O SÍMBOLO DE FACTORIAL!!!: A nova epígrafe do 1bsk espelha, espero que com clareza, a minha posição face à recente polémica sobre as virtudes e vícios no uso do ponto de exclamação. Para breve, neste espaço, pode o leitor contar com uma micro-antologia do ponto de exclamação na literatura universal, incluindo Gerard Manley Hopkins, Emily Brontë, Rimbaud e muitos outros. Nada melhor do que deixar os génios falar. aa 22:09
LEITURAS EM LUGARES PÚBLICOS: Na linha verde do metropolitano, uma senhora lia "Boneca de Luxo", de Truman Capote. De pé. aa 22:04
SAI UMA MEIA DE LEITE E UMA TORRADA PARA A MINHA FONTE: No (deveras inquietante) caso das alegadas escutas à Presidência da República, uma das perguntas para a qual a nação sequiosa exige resposta é esta: qual foi o café da Avenida de Roma no qual o assessor do PR e o jornalista do "Público" se encontraram?
A Avenida de Roma é grande, mas as hipóteses sérias não são tão numerosas quanto isso. Penso que se pode excluir o "Vá-Vá", demasiado vasto, exposto e conhecido para conspirações que não sejam de natureza cinéfila. O "Luanda", situado em posição diametralmente oposta, do outro lado do cruzamento com a Avenida dos E.U.A., parece-me ligeiramente mais favorável, devido à disposição da esplanada (sobre o comprido, propiciando alguns locais discretos). A "Suprema", cujo bolo-rei é muito justamente afamado, afigura-se-me demasiado acanhada, pouco adequada a uma figura pública que pretende passar despercebida. A "Sílvia" possui um espaço coberto que se presta menos mal a tête-à-têtes sigilosos - os cinéfilos recordam-se, decerto, da conversa pungente entre o sr. João de Deus e a empregadita da geladaria, em "A Comédia de Deus". Deixo as considerações sobre outros espaços, como o "Sul-América", para quem frequente mais amiúde o troço setentrional da avenida. aa 22:40
CINEMA: Gostei muito de "The Limits of Control", de Jim Jarmusch, mas não pelas razões que antecipava. Esperava uma declinação jarmuschiana dos temas do filme negro, e vi-me perante um filme que leva a abstracção formal a um patamar pouco frequentado, que transcende géneros e qualquer tentativa de glosa destes, tudo isto sem nunca deixar de se projectar prioritariamente na dimensão pictórica e física. É uma obra deliberadamente vazia de conteúdo (pelo menos no sentido estrito - digamos cognitivo ou narrativo - do termo), mas que se deixa invadir e vibrar por todas as expectativas e memórias do cinéfilo. Está longe de ser um filme arbitrário: todas as personagens, encontros, diálogos, aludem uns aos outros, servem-se mutuamente de eco, formando uma rede de significados cuja decifração é menos importante do que o simples facto da sua existência auto-referente. É, em última análise, um filme completamente legível e isento de fundos falsos. Não existem enigmas em "The Limits of Control", excepção feita ao enigma que é o próprio filme, não mais intrigante do que a própria vida (a vida que o filme, aliás, se abstém elegantemente de imitar) - um enigma que se evacua a si próprio no momento em que Isaach de Bankolé desaparece do campo de visão pela última vez. A solução do problema da vida manifesta-se pelo desaparecimento do problema (Wittgenstein).
Entre (tantas) outras coisas, "The Limits of Control" é um festim para o fetichista cinéfilo. Desde que o vi, são inumeráveis as ocasiões em que tive de reprimir o desejo de pedir "two espressos in separate cups".
O novo filme de Jacques Rivette, "36 Vues du Pic Saint-Loup", está na selecção oficial do Festival de Veneza. E estreará em França amanhã.
Fiquei estupefacto com a duração deste filme: com apenas 84 minutos, é a longa-metragem mais breve da extensa carreira de Rivette.
Esperemos que não venha a sofrer o mesmo triste destino de "Ne Touchez Pas la Hache": directamente para DVD sem passar pelas salas portuguesas, sem passar pela casa partida e sem receber 2000 escudos. aa 22:45
Sexta-feira, Agosto 14, 2009
O LADO NEGRO DA FORÇA: O país, boquiaberto, ficou a saber que no blog 31 da Armada coexistem várias alas, entre as quais uma ala monárquica. E o que decidiram fazer os elementos desta ala, para sair do deprimente anonimato em que viviam? O que empreenderam para promover as suas ideias? Fundaram um partido ou um movimento? Distribuiram panfletos no metropolitano? Convocaram uma flash mob? Nada disso. O ar da sua graça assumiu a forma da substituição da bandeira hasteada na Câmara Municipal de Lisboa por uma bandeira da monarquia. Com esta garotice, ainda para mais perpetrada com uma máscara de Darth Vader(para desencorajar aqueles que ainda alimentassem a veleidade de os levar a sério), os irrequietos monárquicos trivializaram a sua causa e forneceram uma prova adicional de que hoje em dia, em Portugal, não existe uma questão de regime. Estando a defesa da monarquia entregue a folgazões inofensivos com vocação para homem-mosca, a um partido sem expressão (PPM) e a espécimes como os manos Câmara Pereira, a República pode dormir descansada.
Claro está que alguma da nossa imprensa, ávida de irrelevâncias, não se ensaiou nada para ver neste pseudo-evento um trampolim para o relançamento do debate sobre a monarquia. Espanta ainda menos que o cidadão Bragança tenha sucumbido à tentação de apanhar a boleia desta frágil barcaça. Ainda falta muito para acabar a silly season? aa 22:11
SPEAKING IN TONGUES: José Mourinho já fala melhor italiano do que alguma vez falou inglês. Dá gosto ouvi-lo alardear o seu mau perder e a sua má fé com uma fluência que ele nunca demonstrou nos seus anos do Chelsea. O emprego da palavra "consapevole" impressionou-me particularmente. aa 22:09
MORANGOS COM AÇÚCAR - CELEBRAR A FESTA DA VIDA É SER RADICAL:
O Lucas é o vilão menos convincente da história dos "Morangos". Volta, Guga, estás perdoado.
O Vicente aplicou um gancho de direita ao Gonçalo, indignado por este nutrir sentimentos ternos pela sua (do Vicente) mãe, interpretada pela Sylvie Rocha. Sucede que o Gonçalo ficou com um lanho no sobrolho direito, o que me parece carecer cruelmente de verosimilhança.
Todas as personagens que estão a curtir as férias em Portimão mudam de roupa todos os dias, e raras vezes repetem uma peça de vestuário. Como é isto possível?.